Dois universos distantes conversavam de mãos dadas sobre corações partidos. Assistiam às últimas entregas de doações que um grupo de anjos distribuía debaixo do céu vestido de via láctea e, quando passou uma estrela cadente, aquele chamado Maryam disse:

“Eu descobri que meu marido tinha uma namorada. Tinha a opção de aceitar ou mandar embora – o mandei embora. Não importa, vou me virar sozinha e criar meu filho. Aprendi com a minha mãe, que sustentou a família sozinha depois que meu pai morreu. Ela é uma guerreira – 85% da nossa renda em casa vem de seu trabalho. Vende peixe seco e castanhas, além de produtos que faz com plásticos que retira do mar. Mulheres são fortes e batalham por causa de seu coração: estão sempre cuidando da família. É diferente dos homens… Uma amiga minha se matou mês passado. Ela viajou pra Mombasa porque o filho adoeceu e quando voltou encontrou o marido a traindo. Ele disse que foi sua decisão ter viajado, que não deveria ter ido… e ela se sentiu culpada. Um dia, me mandou uma mensagem dizendo que ia partir porque não teve um ombro pra chorar. Corri até a casa dela e a encontrei enforcada… Homens não têm o coração que as mulheres têm. Mulheres são fortes, mas precisam entender que não estão sozinhas.”

[…] meio rosa. Quando começamos a chamar a lista com os nomes das famílias, já era noite – assisti a tudo de mãos dadas com Maryam enquanto ela me confidenciava histórias de corações part…, seus olhos com uma camada de melancolia brilhando na […]